quinta-feira, 8 de março de 2018

Dia internacional da mulher, Chimamanda, Sejamos todos feministas

Olá a todos! Hoje é um dia especial. Nesse dia internacional da mulher eu gostaria, não apenas de parabenizar a todas as mulheres desse mundão afora, mas também lembrar que é um dia de luta. Nos últimos anos, desde que comecei a ter mais consciência do que é ser mulher num mundo dominado pelo patriarcado, eu tenho passado esse dia mais sofrendo do que celebrando. Por isso, dessa vez, eu resolvi contribuir de alguma forma para que nós tenhamos mais visibilidade e mais voz. Para mostrar que tem muita mulher por aí lutando para que sejamos ouvidas, respeitadas e devidamente valorizadas (independente de nossas escolhas na vida). Vamos nos unir! Vamos ouvir o que as mulheres têm a dizer e vamos respeitar também as nossas diferenças.

Para aproveitar o embalo, vim aqui falar sobre esse livro/ensaio da Chimamanda Ngozi Adichie. Essa mulher nigeriana que vem conquistando cada vez mais espaço na mídia e que traz discursos maravilhosos de empoderamento feminino, falando sobre feminismo abertamente, além de seus romances que trazem o retrato de seu povo, sua luta, muita coisa autobiográfica escrita com uma sensibilidade sem igual (resenha de Hibisco Roxo aqui). Hoje eu vim falar de Sejamos todos feministas.

Fig. 1 Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie. Lido em 05-03-2018.

Sinopse

"O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas.

Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. "Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’". Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e - em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são "anti-africanas", que odeiam homens e maquiagem - começou a se intitular uma "feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens".

Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé."

Quotes e comentários

Nesse ensaio a Chimamanda discursa sobre o feminismo de uma maneira tão simples, tão clara e lógica que eu fico até... Nossa, é isso. Só tenho a concordar e assinar embaixo. E fica aquela vontade de que todos leiam. TODOS. Homens e mulheres, porque ambos são afetados pelo machismo. E tanta gente ainda não percebe isso... Tanta gente ainda acha que feminismo é querer colocar a mulher acima do homem, dominante. Não é! Nós lutamos por equidade.
"O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral - mas escolher uma expressão vaga como "direitos humanos" é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é ser humano, mas especificamente um ser humano do sexo feminino."
É o tipo de coisa que eu sempre tento explicar, mas nunca tenho palavras. Obrigada, Chimamanda, por conseguir ser tão clara! E estamos todos nessa! 
"A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: "Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar". Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar."
Eu também acredito que todos nós temos algo a melhorar e como contribuir com essa luta. Precisamos deixar de normalizar comportamentos nocivos, que depreciam a mulher. E isso vai desde as pequenas coisas (como um discurso, uma linguagem usava de forma desrespeitosa, uma "piada") a grandes coisas, como diferença salarial entre os gêneros. 
"Se repetirmos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. (...) Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar "normal" que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens."
A Chimamanda também me fez refletir sobre como a sociedade somos nós, como que nós podemos moldar os nossos comportamentos, aquela coisa de "ser a mudança que quer ver no mundo" (já dizia Gandhi), faz muito sentido! Nós podemos mudar essa sociedade que tanto criticamos, nós precisamos unir nossas forças, fazer o nosso melhor (e votar consciente).
"Somos seres sociais, afinal de contas, e internalizamos as ideias através da socialização."
"A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura."
Muita gente critica feministas dizendo que são muito raivosas. Será que a gente não tem motivos para isso? Por que só homens podem demonstrar raiva e continuarem a ser aceitos?
"O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos."
"Ao longo da história, muitas mudanças positivas só aconteceram por causa da raiva."
E, por fim, vamos nos sensibilizar com a causa sim, vamos lutar, mas vamos também nos respeitar e parar pra ouvir o que as mulheres têm a dizer, sem silenciamento. Sem interrupções. 
"(...) há um abismo entre entender uma coisa racionalmente e entender a mesma coisa emocionalmente. Toda vez que eles me ignoram, eu me sinto invisível."
Esse é o sentimento que fica na gente toda vez que isso acontece. Por tanto tempo eu me senti exatamente assim, invisível. Achava que minhas opiniões não eram tão importantes assim e que eu precisava aceitar, ser "amável", como uma boa menina etc. Apanhei muito até entender que não, não precisa ser assim, não é assim que a banda toca. Eu tenho opiniões e eu vou falar. E a opinião de todas nós conta muito pra construção da nossa sociedade, do nosso mundo. 

E é por isso que nesse dia internacional da mulher eu fiz questão de trazer esse discurso aqui. Estamos juntas, manas! Que vocês consigam aproveitar esse dia da melhor forma, que consigam espalhar suas palavras, se fazer presentes, dizer como se sentem, o que querem, lutar pelo que desejam nas suas vidas e no nosso mundo compartilhado. Um feliz dia da mulher a todas nós!

Extra

Eu vou fechar esse post com esse clipe incrível dessa super diva que ajuda tanto a empoderar mulheres pelo mundo afora, Beyoncé! Esse clipe ainda conta com participação da Chimamanda e parte do discurso que gerou o ensaio que acabei de comentar (letra e tradução aqui). "Bow down, bitches"!


"I woke up like this, I woke up like this
We flawless, ladies, tell 'em"

2 comentários:

  1. huahuhusuhasauhsshu melhor livro de palestra do youtube que vc respeita, esse é aquele que vale a pena ter na estante. adorei também quando li <3 Rainha!

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    1. Sim! apsfihahidshipa Ainda quero ter a versão física dele e do Para educar crianças feministas. Essa mulher é muito <3

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